Capa do livro HOFERWEGde Renato Hofer


HOFERWEG
Ou o jeito mais difícil de ir de Praga a Paris

Renato Hofer

O que será que existe entre os mil quilômetros que separam Praga e Paris? É isso que você vai descobrir no livro Hoferweg - ou o jeito mais difícil de ir de Praga a Paris, que descreve uma expedição de quarenta e dois dias realizada no verão de 2015. E como o autor não gosta de facilitar, a viagem foi sem celular, sem GPS e a pé!

Sorte sua que vai poder vivenciar esse percurso ora divertido, ora dramático, que fala de gente, comida, arquitetura e encontros inusitados em quatro países, sem carregar sua bagagem nas costas.


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Hoferweg por Ana de Niemeyer

Nas xilogravuras do artista japonês, Hokusai, há com frequência alguém apontando para a paisagem: montanhas, cascatas etc. Este gesto assinala que a natureza é para ser admirada e contemplada com os outros: sejam aqueles que nos acompanham em uma travessia, sejam aqueles que admiram conosco as gravuras de Hokusai.

Em Hoferweg Renato nos convida para segui-lo, a pé, na viagem que faz de Praga até Paris. Tal como os caminhantes de Hokusai, ele nos aponta desde os mínimos detalhes da natureza, até as magníficas visões que abarcam, a partir de um lugar alto, uma cadeia de montanhas. À semelhança dos pintores chineses que eram poetas e calígrafos, nosso arquiteto viajante desenha, pinta e inventa escritas; descobre beleza nas mais comuns intervenções do homem na natureza - viadutos, fábricas etc.

Na longa viagem que fazemos a pé com Renato, não nos cansamos, pois ele sempre nos indica o que ver, como ver, e como descobrir abrigos; a cada pausa ele divide conosco o sabor, as cores e, as vezes, as receitas das mais apetitosas e reconfortantes comidas. Não nos perdemos nas estradas, campos, matas, vilarejos e cidades, pois aprendemos a utilizar nosso mapa subjetivo, casando nossa imagem mental da paisagem com informações que tiramos de mapas cartográficos (nada de Waze, por favor...). Não nos sentimos solitários já que, junto com ele, fazemos amigas e amigos novos. Mas aqui precisamos deixar de lado nossos preconceitos e atravessar a barreira de nossos costumes arraigados.

A minha leitura de Hoferweg não foi disciplinada, linear. Como uma caminhante que nada quer perder, tudo quer ver e saborear, li de trás para frente, do meio para o fim. Pulei caminhos e cidades, mas logo voltei, andei de costas e cheguei ao ponto que há pouco deixara quieto. E, assim, para mim o livro nunca acaba. Está sempre aqui esperando por uma outra leitura quando, então, farei novas descobertas.

Sobre o autor

Renato Hofer, em palavras de Edith Derdyk

Renato Hofer é um caminhante de códigos cifrados, das aparições que surgem impressas em cartas, em cada quina de seu meticuloso planejamento de viagem, mesmo que aparentemente aleatório, mas sempre na ordem do inesperado. Renato pratica uma lógica construtiva arquitetônica no modo de preparar a bagagem para suas aventuras, projetando riscos de giz no chão ou nas paredes das encruzilhadas que não são poucas.

Tal como um arqueólogo, o autor decodifica enigmas incrustrados no esqueleto invisível do território ou das trilhas entre as cidades e aldeias nos campos do Velho Mundo, cujos limites entre o perímetro urbano e rural é mais suave e aconchegante para travessias desta natureza. Mas ali se apresentam também a ambiência e as diversas tonalidades das línguas, dos estranhamentos que ali se postam.

Exerce sua indescritível capacidade de ler, decifrar e escrever as paisagens, tudo ao mesmo tempo. Talvez pudéssemos apreender, de sua experiência como artista-caminhante, os traços de um personagem romântico do contemporâneo: o menir sonhador ambulante; o decifrador de mapas extraordinários com rotas circulares previamente delineadas; o colecionador de encontros notáveis; o amador profissionalmente solitário; o que traceja horizontes móveis em rolos de papel carregados feito casco de tartaruga; o provocador de surpresas planejadíssimas; o arquiteto do inesperado.